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FLOR DO MANDACARU
Há uma flor que nasce
no sertão
E no solo rachado
castigado
brota teimosamente
a flor do mandacaru

Ressuscita-me
da morte lenta
de mim mesmo
Da mesquinhez
que trago entranhada
em mim

Morte diária
tão necessária
e tão contumaz
que já não sei
quanto morro
ou vivo

E a formiga
estala suas presas
no verde ressuscitado
É a morte sem cartas
sem anúncios nos jornais
sem cerimônias
Destino dos vivos

E a flor anuncia
novas precipitações
Prenúncio de vida
e morte

E morre e vive
com uma necessidade
urgente de existir...
A flor do mandacaru
Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 28/04/2019
Alterado em 28/04/2019
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