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ACROFOBIA

Rastejo como cameleão
Cobra, lagartixa
Amo cheiros telúricos
Sou do chão
Bicho rastejante

O não ter asas
Me faz ter calafrios
Assusta-me
A força gravitacional
E a vazio debaixo de mim

Taquicardia
Arritmia
E uma dor fina
Que espeta a alma
E me faz ficar trêmulo
Com músculos espásticos

A voz espinha na garganta
Muda de tom
Rasga as sílabas
E exprime a agonia
Do corpo rastejante
Que ameaça a se desprender
No precipício, sem asas
Em voo certeiro para o chão

Estenda a sua mão
E afague o gemido
Do meu destino
Da minha rastejante solidão
Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 16/04/2019
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