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A FADA DO DENTE

Era uma menina
Muito faladeira,
Não parava quieta,
A todo instante inventava
Uma nova brincadeira.
Mas, o que ela mais queria,
Era que seu dente de leite
Caísse um dia.
Isto sim! ela desejava com muita alegria...

Não sei o que dava nela,
Todo dia perguntava:
Mãe! Quando vou ter minha janela?
E não cansava de bradar:
Minhas amigas, todas elas...
Já estão banguelas!

O pai um dia falou:
Filha, estou passando pela Paralela,
Logo, logo estarei em casa!
E hoje à noite
Você vai ficar banguela.

Conversadeira do jeito que é,
Foi logo emendando:
Que nada meu pai,
Meu dente ainda está duro,
Você está muito otimista,
E a mãe já me disse
Que meu dente só no dentista.

E o pai então falou:
Filha você é muito bacana,
E também tagarela.
Por que tanta espera?
Morda uma banana
E você ficará banguela.

Bela risada foi a dela:
- Meu pai pensa que já não tentei!
Agora sei que não pode,
Pois a banana é muito mole.
- Filha, você além de bacana
É uma ternura,
Como você quer muito a janela,
Morda rápido uma rapadura.

Foi então quando ela me disse:
- Pai, poderia até tentar,
Sei que ela é muito dura,
Mas você não se lembra!
Eu não gosto de rapadura.
- Mas Gostei da sua ideia...
Vou tentar com outra coisa
Que também é uma gostosura.

Claro! Claro que deixo,
Minha ternura!
Se você quer comer quebra-queixo
E não a rapadura.
A única coisa que te peço
É que tome cuidado
Para não quebrar o queixo.

Filha querida!
Sei que você não é cabeça dura.
Siga o meu conselho,
Morda logo a rapadura.
Não tenha medo,
Se você ficar muito banguela
Eu te dou uma dentadura.

A mãe que ouvia a conversa,
De repente...
Amarrou um fio no dente
E fazendo um zup-zap!
O dente quase voou pela janela...

Da casa ouviu-se o grito
E minha filha ficou banguela.
Aquela foi uma noite
De muita alegria...
Minha filha chorava,
Minha filha sorria.
Ela adormeceu sorridente,
Sonhando com o dente.

Debaixo do travesseiro,
Muito contente,
A irmã escondia o dente,
Na esperança de que a fada
Viesse buscá-lo como sempre...

Eternos momentos na minha mente,
Estes lembrarei eterna-mente.
Agora entendo a razão
Porque a menina que nasceu sem...
Queria tanto perder o dente.
Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 27/09/2015
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