Meu Diário
18/12/2015 22h35
O LIVRO SOBRE NADA (MAOEL DE BARROS)

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira....
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.


Publicado por Rosalvo Abreu em 18/12/2015 às 22h35
 
18/12/2015 22h18
AUSÊNCIA

Simples assim... Tão claro e verdadeiro... Genial. A esta ''ausência assimilada'' chamo também de saudade.

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta....
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Publicado por Rosalvo Abreu em 18/12/2015 às 22h18
 
29/11/2015 20h44
SAPATO ALADO

Sabe aquele sapato bem surrado, nos pés de um garotinha bem esperta: que corre, que brinca, que pula, que chuta e que anda pelas terras do nunca? Ela terminou agora o primeiro ano, está muito bem alfabetizada... Tem um bom diálogo com as letras e principalmente com os números. Este poema é para ela: Ayanne, uma das minhas adoráveis filhas.


Publicado por Rosalvo Abreu em 29/11/2015 às 20h44
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26/11/2015 14h46
Espanto...

Manoel de Barros me espanta,

                             Encanta-me,

                          Faz-me flutuar.

                Nunca vi nada igual...

       Cada releitura é um delírio.

"Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono"

                           Obrigado MB!


Publicado por Rosalvo Abreu em 26/11/2015 às 14h46
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25/11/2015 23h18
Visita de amigos...

É tão bom receber a visita de um velho amigo(a)... Já valeu tudo!


Publicado por Rosalvo Abreu em 25/11/2015 às 23h18



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